-Bons tempos aqueles em que as operações da Polícia Federal tinham nomes geniais. Houve um tempo em que a leva de nomes criativos era tão grande que o batismo era mais comentado que as investigações em si. Satiagraha é um nome feio, sem graça e difícil de saber exatamente como se pronuncia ao ler nos jornais. A repercussão se aproximou do escândalo do Mensalão. A população se revoltou mais com Gilmar Mendes do que com os bandidos que ele soltou. Há razão para revolta pela simples velocidade com que isso aconteceu, mas nada além. Eles serão julgados quando chegar o momento, mas a mídia faz com que a população antecipe um julgamento que normalmente não reflete o que acontecerá nos tribunais. É quase irresponsável. Tão irresponsável quanto os atos dos palhaços que roubam verbas públicas em um país onde falta tanto do básico para os mais pobres.
- São 5:40 da manhã, acabo de me despedir do meu irmão que foi passar uns dias no Sul do país. Pronta para um frio muito menor, mas ainda sim muito maior que no Rio de Janeiro eu também tenho malas prontas e aquela ansiedade que precede pés na estrada. Pés constantemente na estrada são a única vantagem que eu vejo no momento em relacionamentos sérios. Sem dúvida tudo o que eu queria esses dias é uma companhia para todos os fins de semana viajar para cidades relativamente próximas. Como eu sempre digo, não importa para onde, viajar? Eu vou!
- Dentre arrumações encontrei coisas que não mexia desde a última mudança. Não encontrei nada que eu veja com um certo saudosismo, e sim uma sacola cheia de lembranças desagradáveis. A pior delas foi um bloco de papel com as páginas quase completas, nelas rabiscado histórias de um passado nem tão distante, mas que me lembram do quanto eu sou idiota, burra e manipulável nas mãos de qualquer homem que saiba fazer cara de coitado. Deve ser por isso que dessa vez eu abdiquei do lugar de mulher-enfermeira. Só em filme clichê que os homens ficam com elas. Sem contar que no momento atual da minha vida prefiro quem seja capaz de lutar contra os próprios demônios assim como eu.
- Tenho um sono próximo do absurdo, provável que eu chegue no carro e durma por longas horas. Vou sentir falta de escrever e até cheguei a cogitar a possibilidade de levar o notebook junto comigo para minha viagem, mas acho que ia acabar me prendendo a esse vício chamado escrita. Blocos de papel já estão na mochila, talvez eles dêem bons frutos, mas esse conjunto de tela e plástico cor de rosa fica aqui. Lerei jornais de papel, beberei para esquentar do frio e me limitarei a escrever amenidades em blocos brancos de linhas azuis.
- Gostaria de escrever sobre meus mais novos planos para o futuro, mas o desmantelar dos antigos me dá a escrota superstição de que deu errado por falar demais. Sou uma mulher movida a paixões e encontrei mais uma delas recentemente. Como a todas minhas paixões eu me dedico a ela com a ferrenha sensação de que nunca é o suficiente. É ao mesmo tempo angustiante e confortante, mesmo que possa parecer desprovido de sentido, mas todas as paixões são. Eu que o diga.
- Essa semana vi o filme “O grande Mentecapto”. O livros li por recomendação de R. e é um dos que fez com que ele levasse o título de melhor indicador de leituras. Tudo bem que atualmente só leio sobre urbanismo, violência, segurança pública e política, mas nos áureos tempos da minha vida em que eu não via essas coisas com tamanha obsessão eu costumava ler coisas mais tranqüilas como o apaixonante livro de Fernando Sabino. O filme é adorável, ilustrou algumas coisas que imaginei da trajetória do adorável Geraldo Viramundo e me deu vontade de reler o livro. De certa forma me identifico com Viramundo, talvez tão louca quanto ele.
- A policia do Rio cometeu erros consecutivos, matou inocentes e tentando agradar a população a medida a ser tomada é desarmar a polícia. Não usaram mais fuzis e sim pistolas. Só eu acho isso uma incoerência absurda? Porque eu acho, absurdo, absurdo, absurdo! Dá um spray de pimenta só então. Pistolas também matam, são letais contra pessoas desarmadas, mas perante aos bandidos armados brutalmente e que constantemente fazem cerco aos policiais as pistolas soam ridículas. Mais uma vez eu digo: CULPA DA MÍDIA, a filhote de belzebu, a herdeira do capeta. Faz-se tanto que cria-se uma comoção popular e os governantes em conseqüência tomam medidas polemicas de acordo com o que deseja a população. A população deseja isso agora, no calor do momento, mas quero ver desejar isso quando estiver no meio de um tiroteio entre traficantes rivais e a polícia aparecer com meia dúzia de pistolas automáticas. Os políticos fazem a vontade do povo ignorando que devido a equipe técnica que deveriam ter eles encontrariam soluções menos radicais e que coloque menos em risco a vida dos nossos policiais. Como eu sempre digo: No c* dos outros é refresco.
- O Ronaldo Gaúcho foi pro Milan. Que merda, heim? Para quem não sabe a metade italiana do meu coração torce pro Milan, culpa daquela decisão perdida na liga dos campeões. Dar o troco depois só tornou o Milan mais querido por mim. Sobre a contratação do gorducho brasileiro eu só tenho a dizer que o rossonero tem por hábito contratar pesos de papel (e põe peso nisso). De tempos em tempos eles contratam jogadores em decadência achando que eles vão se recuperar, aumentar de valor ou atrair olhares publicitários, mas nada disso acontece. Sou mais chamar o Romário, rende mais mesmo sem treinar, ta sempre querendo gol para colocar na caderneta e apesar dos quase 100 anos e das muletas ainda é um gênio, por mais que eu odeie admitir isso.
- Vinte pras sete. Acho que vou me calçar, pegar minha mochila e sair de casa logo. Antes comerei pão na chapa na padaria relembrando os dias de aula. A diferença é o mais importante: Minhas marmotas e minhas loiras não estarão comigo. Saudade das bitches. Saudade.